Insólito no INEM!!!
Infelizmente… isto tem piada! é incrível o que se passou! Além de incompetência, a isto também se chama indecência! É triste ver pessoas preocupadas em gozar um bombeiro, em vez de se preocuparem com uma pessoa em risco de vida!!!
Março 17, 2008 às 1:51 pm
Exmo. Senhor,
sobre os vídeos que publica, gostaríamos de apresentar a seguinte explicação: para o funcionamento do Sistema Integrado de Emergência Médica – para prestar assistência a situações de acidente ou doença súbita – o INEM conta com a colaboração de diversas entidades. Entre estas estão, naturalmente, as corporações de bombeiros, as quais dispõem também de ambulâncias de socorro e respectiva tripulação. Ou seja, perante as diversas ocorrências, pode o INEM accionar ambulâncias de socorro afectas a outras entidades para além do próprio Instituto, o que sucedeu neste caso concreto. Pressupõe-se que as entidades que operam estes veículos o façam com tripulações conforme mandam as boas práticas: com elementos com formação em Tripulante de Ambulância de Socorro, os quais dispõem de conhecimentos bastantes para actuar em diversas situações de emergência médica, entre as quais a ocorrida. Além da formação necessária, espera-se, uma vez que constitui sua missão, que nas Corporações de Bombeiros se encontrem os profissionais necessários para a resolução de situações, sempre que contactados pelo INEM e/ou outras entidades.
Sobre a ocorrência e porque naturalmente não se encontra V. Exa. na posse de todos os factos, somos informar do seguinte:
1. Recebeu o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Norte, uma chamada pelas 03h36m09s, no dia 22 de Janeiro de 2008, na qual um contactante dá a morada onde se encontra, mas não informa do que motiva a chamada, pedindo apenas “a Guarda”. Assim, a operadora informa que se era esse o desejo do contactante, teria de desligar e ligar novamente 112, caso houvesse feridos, enviaria uma ambulância, recebendo como resposta, ao fim de 2m37s de diálogo: “está morto”. Até este momento, havia sido impossível à operadora perceber da existência de uma vítima, pois os contactantes não informavam da necessidade de assistência médica, por muito que a operadora insistisse em ser informada sobre o que se passava no local.
2. A chamada revelou-se de tal forma invulgar, vaga e confusa para um contactante que afirmava ter o irmão “morto”, que a operadora foi levada a perguntar se não se trataria de uma brincadeira com o 112, tendo o contactante negado.
3. Apesar dos familiares da vítima insistirem na necessidade “da Guarda”, o INEM optou por accionar uma ambulância e uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).
4. A chamada efectuada pelos familiares da vítima vem mostrar a importância fundamental de responder adequadamente às perguntas dos operadores do CODU, informando sobre o tipo de situação, a localização, a gravidade aparente da situação, o número, o sexo e a idade aparente das pessoas a necessitar de socorro, as queixas principais e as alterações observadas, entre outros, informação essa que se traduz na escolha adequada de meios a enviar.
5. De seguida, a operadora contacta os Bombeiros Voluntários de Favaios, com o objectivo de accionar uma ambulância, colocando a corporação em contacto com a VMER de Vila Real, à qual deu indicações sobre como chegar ao local. Dadas as indicações, a VMER seguiu para o local da ocorrência e deparou-se com um nevoeiro intenso (note que existia inclusive um alerta para estas condições meteorológicas), que levou este meio a conduzir, por vezes, a 20 Km/h.
6. A chamada entre a operadora do INEM e o profissional dos Bombeiros Voluntários de Favaios revelou-se de extrema dificuldade: desde dificuldades de comunicação “estou? Está-me a ouvir?”, a não ter uma caneta para apontar a informação cedida pelo CODU Norte, até a questões como “o que faço? É preciso ir lá eu?”, que levaram a operadora a certificar-se de que falava com uma corporação de bombeiros e a constatar que tal nunca lhe tinha acontecido. Apenas perto dos nove minutos de chamada, tempo absolutamente inaceitável para o INEM, é quando o bombeiro de Favaios informa: “mas eu estou sozinho…”, algo que era do desconhecimento da operadora e que podia ter sido dito desde o início da chamada, poupando tempo no accionamento de meios, tempo esse fundamental para a vítima.
7. Perante as adversidades geradas pelo profissional de Favaios, a operadora desiste desse accionamento e intenta uma outra corporação: Alijó. Aqui, é informada da mesma situação, pois o profissional também se encontrava sozinho.
8. A operadora ponderou enviar os únicos elementos disponíveis em Favaios e Alijó, pois a soma de cada um destes elementos daria 2 tripulantes disponíveis para prestar assistência à vítima.
9. O bombeiro de Alijó informa que vai chamar um colega e dá-se assim o accionamento de uma ambulância dos bombeiros de Alijó.
10. Na chegada dos profissionais do INEM ao local, concluiu-se que a vítima já havia falecido horas antes, como indicaram os familiares aquando da chamada, embora nunca tenha desistido o INEM de procurar prestar assistência médica a quem dela necessitava.
11. O INEM não imputa quaisquer responsabilidades à operadora do CODU Norte que executou o seu trabalho de forma profissional, perante um cenário que parecia irreal, como tantas vezes se noticiou. Apenas pela sua persistência, concluiu que de facto existia uma vítima a necessitar de assistência médica e, também devido à sua persistência, conseguiu accionar uma ambulância, quando as comunicações indicavam ser impossível devido a inoperacionalidade dos bombeiros voluntários das áreas mais cercanas à ocorrência. Também, sobre os desabafos da operadora, o INEM considera o INEM serem representativos de uma profissional que procurou desempenhar a sua função com rigor, incansável, perante uma realidade que o INEM lamenta.
Ou seja, não encontra o INEM motivos que justifiquem as palavras de V. Exa. “de incompetência, a isto também se chama indecência! É triste ver pessoas preocupadas em gozar um bombeiro, em vez de se preocuparem com uma pessoa em risco de vida!!! “, pois verá que não correspondem à verdade se fizer uma reanálise rigorosa do vídeo.
Em suma, naquilo que ao INEM respeita – triagem da situação (ainda que difícil), activação da VMER (ainda que as condições meteorológicas não tenham permitido uma chegada ao local da ocorrência mais célere) e activação da ambulância (ainda que difícil) – estamos certos de que não existiu qualquer atitude negligente e muito menos jocosa por parte de uma Instituição que se esforçou por fazer chegar os meios adequados a uma vítima que precisava de assistência médica.
Melhores cumprimentos,
Ana F. S. Ros
Gabinete de Comunicação e Imagem
Instituto Nacional de Emergência Médica
Rua Almirante Barroso, 36 / 1000-013 Lisboa – Portugal
Tel. + 351 213 508 108 / Fax. + 351 213 508 183
e-mail: ana.ros@inem.pt
Internet: http://www.inem.pt
Março 28, 2008 às 3:51 pm
Cara Ana, em primeiro lugar quero dizer fiquei muito lisonjeado em ver que alguém se deu ao trabalho de escrever um “grande” texto sobre uma coisa que eu disse.
Quando falei em incompetência, não me referia apenas a uma pessoa, mas sim para todas as partes, desde quem liga até quem atende! O caso poderia ser resolvido com maior rapidez, é notória a lentidão dos diálogos… até parece que nem se tratam de emergências e que estavam a tomar o chã das 5h…
Em relação ao gozo que falei, no segundo vídeo, avance ate ao minuto 6 e segundo 40 e explique-me então porque as pessoas se começaram a rir e porque a pergunta foi feita mais uma vez, quando a operadora já tinha percebido a resposta.
Foram apenas alguma observações minhas…
Com os maiores cumprimentos…
David Soares
Agosto 23, 2008 às 10:30 am
Que discurso tão bem escrito – “O da representante do INEM”
Palavras bem escritas, são fáceis de lapidar, mais difícil é explicar, aos inúmeros intervenientes de perguntas a mais e respostas a menos (doentes).
Já sei o CODU tem que fazer a triagem, as chamadas falsas são muitas, etc, etc.
Mas eu como “incompetente” e “ignorante” na matéria pergunto: porque razão estas dificuldades todas têm que por em risco vidas humanas?
Triagem num hospital na presença do doente, parece-me oportuna e eficaz, agora pelo telefone?
Dirão os entendidos, tem que ser, é fundamental, etc.
Diz o leigo então porque razão o numero de doentes que perdem a vida, por falta de apoio imediato é tão elevado? Porque razões existem tantos erros de avaliação? ….
Responde-se logo não são casos significativos …
Eu respondo só se não forem da família de quem responde assim….
Transcrevo agora um comentário que fiz ontem (22AGO) após um episódio com o INEM. Feito de cabeça quente, que me fez pesquisar, casos e situações de “problemas com o INEM”.
Sem comentários — “no comments”
Esta foi a expressão que me veio à cabeça. Talvez porque estou a escrever este comentário pouco tempo depois de ter necessitado do apoio do INEM.
Foi durante o dia (cerca das 0900), telefonei porque me pareceu ser mais seguro transportar o meu pai para o hospital de ambulância, já que, estava a ter dificuldades em respirar e com dificuldade de locomoção.
O meu telefonema para o INEM: Comecei por dizer onde estava, o que precisava (uma ambulância), foi passada a chamada para um médico. Disse o que estava a acontecer – O meu pai foi operado na segunda-feira à vesícula (esta chamada foi feita na sexta-feira), disse ao médico o que o meu pai estava a sentir (falta de ar, barriga inchada, muito pálido, etc). Pergunta seguinte do médico o seu pai sofre de alguma coisa. A minha resposta foi: operado na segunda-feira. O médico ia começar com mais perguntas, pelo que disse muito obrigado levo o meu pai no meu carro. Cerca de meia hora depois estava a entrar no bloco operatório outra vez.
Obrigado INEM as vossas perguntas podem fazer todo o sentido, mas para quem esta mal, ou muitas vezes muito mal, o que se pretende é uma resposta rápida. Como vocês bem sabem um minuto pode salvar uma vida.
Já sei, vão dizer que muitas chamadas não justificam o deslocamento, e têm que efectuar a triagem.
Então amigos (INEM) uma opinião de um leigo mas interessado, sejam mais profissionais (nem todos claro, as generalizações são sempre más). Este último comentário é naturalmente para os dirigentes, que tendo capacidade para implementar bons métodos, aperfeiçoamento, profissionalismo, etc. Se refugiam na sua qualidade de chefes para mandar mas não para melhorar.
Esta não é a qualidade dos Portugueses em geral.
A emergência médica em Portugal existe?
Façam alguma coisa, o meu pai apenas porque eu tenho posses, foi por mim transportado para o hospital, mas quantos milhões de portugueses não têm esta capacidade.
Quantos morrem pela incompetência dos DIRIGENTES/CHEFES do INEM?
Muito obrigado por lerem este desabafo de alguém que teve que transportar um doente para o hospital porque o INEM demorava bem mais tempo, quem sabe quanto, possivelmente ainda não estaria a escrever este comentário são 12:35.
Mostrem a vossa indignação que, quem sabe, este escândalo que é o nosso (Português) INEM, leve a reestruturação que merece e os funcionários dedicados merecem.
Obrigado
Jorge
Outubro 10, 2008 às 2:11 am
Ola a todos!
Só queria deixar aqui uma pequena mensagem, e espero que ninguém leve a mal, mas, sinceramente, é muito fácil falar para quem está do lado de fora!! Na minha opinião, uma profissão que envolva a área da saúde, só por si, já acarreta grandes responsabilidades, maiores que qualquer profissão, então imaginem quem trabalha tanto no CODU como no terreno a prestar os cuidados em emergência pré-hospitalar… com certeza não será fácil gerir toda uma série de situações que mexem não só com a intelectualidade, como a criatividade, flexibilidade, entre outros… assim como toda a carga psicológica que se exerce sobre estas pessoas, que estão diariamente a lutar por um único objectivo… salvar vidas! E estas pessoas estão lá porque gostam do que fazem, porque por cada vida que salvam é uma vitória, por cada sorriso e expressão de agradecimento na cara dos familiares, amigos, etc… isto será, indubitavelmente, gratificante demais, assim como derrotados se sentirão, se o contrário se verificar!! E eu não digo que não sejam cometidos alguns erros, porque afinal, erros todos cometemos, porque somos humanos, o problema é que estas pessoas, neste tipo de profissões, terão de ser “sobrehumanos” pois um pequeno deslize pode ser fatal, sendo “apontados” pela nossa sociedade que, infelizmente, só vê o que quer ver!!
Enfim, só espero ter sido clara… não estou, contudo, a falar em defesa de nenhum dos lados, só queria que reflectissem um pouco sobre o que eu deixei aqui!!
Obrigada!
Anabela